domingo, 2 de agosto de 2009

Fantasia Fantasia


Fantasia Fantasia

Soam notas ordenadas
Arrumadas
Num arranjo caótico.
Psicodélico frenesi!
Desarranjo lógico
Uma doce fantasia!
Quem diria!
É o caminho dos sonhos
Como aquela estrada
De tijolinhos amarelos
Em que desejos singelos
Levam à procura
De cérebro
Coração
E a coragem
Estimada pelo leão.
Há seres estranhos
Nessa sonata fadada
Aos delírios da mente!
Seres espectrais
Cuja existência não se vê
Se sente.
Sanidade não há mais
Pois impede a razão
Os rodopios das fadas
Que num bosque escuro
Brilham feito lampião.
São danças aladas
De almas amadas
Por corações juvenis
Jamais vis!
Como os das crianças eternas
Da Terra do Nunca
Que seguem o compasso
Com palpitações obscenas
Marcando passo
Sem o vexame de seguir
Com delírio e espasmo
Essa sonata de Chopin
Fantaisie Impromptu!



Eder de A. Benevides

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O valor do verão


O valor do verão


Gosto das chuvas de janeiro
E se estou pensativo caminhando
Abro um sorriso gostoso quando
O pé d’água molha esse eu caminheiro
Danço na chuva aos rodopios
Rodopiando amores omissos
(doces amores de uma noite)
Rodopiando sorrisos recebidos!
(perenes sorrisos de várias noites)
E rodopiando,
Por fim,
O brinde de ter amigos!
Sabe, somos felizes no verão.
Não há preocupação
Não há aquele aperto no tórax
De estar vivendo a vida ordinariamente
Sem clímax
Tão longe de um filme pessoal
Esperando ansioso o sinal
De um futuro totalmente surpreendente
Emocionante
Perigoso e pouco evidente.
Mas sabe, o verão é um ludibrio feliz.
Um confortável sonambulismo
Romances sem realismo
Efêmeros sorrisos em vão
Ou não!
Estão em função do tempo,
Porém,
Ficam.
Permanecem indefinidamente no coração.
Absolutamente
Evidentemente
Não são em vão!
Porque se o fossem não teríamos forças
Para resistir ao frio do inverno
E esperarmos ansiosos por um novo janeiro.
Fevereiro
Março
Abril
.
.
.




Eder de A. Benevides

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Infância


Infância

Um menino agachadinho
Jogava o pedregulho no rio
Bem de cima do morrinho
Estava assaz pensativo
Imaginava os porquês
Arriscava os paraquês.
Para ele a vida era linda
Como são os passarinhos
Ignorava sua natureza finda
Pensava apenas nos ninhos.
Lembrou da noite anterior
Das primas malvadas
Que vestidas de monstro
O causaram tanto temor
Lembrava do avô
Que o levantava bem alto
E o homem no asfalto
Chamando:" O! Sô! "
Lembrou da vaquinha
Que mugia e mugia
Tinha a cara pretinha
E o leite saia quente.
Das lembranças
Voltou de repente.
Teve vontade da vida
Tão recente
E tão querida
Olhava para o céu e
Eufórico pensava no mundo
Sem saber direito o que era
Gritava ao vento:
Gira mundo! Gira mundo!
Estava então isento
Do que descobriria depois
Ser tão imundo....


Eder de A. Benevides

domingo, 28 de junho de 2009

O Amor que falta

O Amor que falta

Falta aquele amor embriagador nas pessoas
Um amor livre e insaciável viajante
Que parte ansioso para uma vida encantadora
E torna cada olhar uma espécie de amante.

Um sentimento corajoso que não teme ousar
Que não vacila de fronte ao espírito alheio
Que segue intensamente avante e sem anseio
E sereno vê em cada coração um doce lar.

Para esse amor são inexistentes as diferenças
E são extensas
Propensas
Imensas
As chances de em cada coração achar um calor
Um calor confortável que nos livre da dor
De nos sentirmos sozinhos no mundo
E com sentimento profundo
Olharmos um para o outro
Para com sinceridade podermos então
Nos chamarmos de queridos irmãos!


Eder de A. Benevides

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Coração de Cristal


Coração de cristal

Lamentava um coração de cristal.
A sua dor era gelada e profunda
Pois era estranhamente oriunda
De sua triste existência irreal.
Queria os chorinhos da vida
Ter aquela coragem atrevida
As palpitações de amor
Queria acima de tudo sentir dor
Não uma dor gélida e mecânica
E sim aquele leque abstrato
De profundas sensações orgânicas.
Indignado
Desconsolado
Cansou-se de sua condição de objeto!
Invocou Deus e determinado gritou!
- Por que sou inanimado abjeto
Se entre tantos corações
Sou o que mais quero ser o que não sou?
.
.
.
.
Com o silêncio das indagações
Continuou
O inerte ser cristalino
Inanimado
Gelado
A ser o que é em seu triste destino.


Eder de A. Benevides