quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Tributo ao Freddie.




Eu tinha apenas dois anos de idade quando o relâmpago de uma noite chuvosa desapareceu no céu noturno. Se tratando de uma “lifetime”, o que Freddie representou não poderia ser diferente do que um relâmpago. Vistoso, imponente, impressionante, porém demasiado rápido. Sua vida foi curta, apenas quarenta e cinco anos de inquestionável talento e dedicação ao que mais amava: a música.

O que temos hoje que poderia se comparar àquele fenômeno? A resposta é: absolutamente nada. Não que não existam músicos talentosos hoje em dia. A indagação parte de um fenômeno moderno que é a mercantilizarão sem limites da música popular. O amor a música deu lugar à necessidade de destaque na grande mídia especializada. Em vez de novos “discos” com o melhor que podem fazer, apresentações memoráveis e a entrega ao público, os novos artistas preferem causar polêmica com atitudes que, de polêmicas, só têm a intenção de chamar atenção. Basta pesquisar nos noticiários da época para perceber que Freddie não se apoiava em atitudes espalhafatosas nem expunha a sua vida pessoal. A sua fama era feita no palco, com performances de cair o queixo e doses do que era ser um verdadeiro “frontmen”.

Queen é uma banda de que gosto muito e freqüentemente lamento o fato de não ter nascido uns vinte anos antes; de não poder ter presenciado esses gigantes do Rock ao vivo. O que mais me chama atenção em suas canções, além do talento dos integrantes e a voz inconfundível do Mr. Bad Guy, é a forma despudorada de tratar do tema “amor”, não apenas em sua face romântica. As músicas do Queen são uma explosão das múltiplas facetas do sentimento. Give love, give love, give love... e assim a palavra é repetida any vezes em “Under Preassure” para nos lembrar do poder que carrega. Amamos porque temos um companheiro, porque temos amigos, porque o mundo precisa, porque, sem essa palavra, não se canta de verdade, nem se faz música de verdade. O Queen trouxe essa palavra sem hipocrisia, e Freddie a cantou sem pudores.

Como alguns sabem, eu gosto muito de cantar, e penso que minha maior influência musical sempre será Freddie Mercury. Vez ou outra me pego cantarolando "Somebody to love", ou então "Bohemian Rhapsody". Uso dessa influência, não muito raramente, em minha literatura, em meu cotidiano, em meu jeito de ser. Não porque eu não tenha personalidade, mas sim porque, para mim, Freddie Mercury quer dizer liberdade e ousadia; liberdade e ousadia na forma de agir, de se expressar, de se escrever, de se cantar... E se tudo isso trata de amor,liberdade e ousadia, por que não ter como parte de si? Então sou Eder Benevides, mas com orgulho de ter me influenciado por tamanho ícone.

Freddie ultrapassou o estilo Glam, se destacou e se tornou o mais autêntico dos artistas de sua época. Foi cantor tanto no rock quanto no erudito, estilo em que fez parceria com a grande Montserrat Caballé - e que dueto foi Barcelona!. Era bissexual e deu mais uma das provas de que a sexualidade é apenas um detalhe. Morreu de AIDS, doença terrível que assassinou outros grandes ídolos de nossa época. Foi um grande músico e deixou uma grande saudade.

Eder de A. Benevides

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